Análise de viabilidade econômica: novos projetos x orçamento interno

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*Atualizado em: 16/01/2019

Uma análise de viabilidade econômica deve ser sempre realizada antes que um novo projeto tenha a sua iniciação aprovada. Não importa qual seja o tipo de projeto, pode ser tanto uma expansão do negócio quanto a própria abertura da empresa.

O grande benefício desse tipo de análise é viabilizar a visualização — por meio de projeções e números — das chances reais de retorno do investimento em questão e, portanto, ajudar os gestores a decidir se as premissas são interessantes e se o projeto deve seguir adiante ou não.

Quer saber mais sobre o assunto? Então acompanhe os tópicos a seguir e entenda os demais fatores associados!

Por que a viabilidade econômica e a financeira são dois processos distintos?

Essa etapa tão importante da construção de um novo negócio ou para um projeto de expansão/adequação ao mercado parece confusa em alguns momentos para gestores e empreendedores menos experientes, mas acaba se tornando uma rotina natural para quem trabalha há mais tempo com administração.

A verdade é que você vai precisar dos dois modelos de estudo, sendo que a viabilidade financeira de um negócio é parte de sua viabilidade econômica — um conceito mais amplo. Em termos mais claros:

  • viabilidade financeira é o estudo da liquidez de uma empresa, principalmente sua capacidade de cumprir vencimentos no começo de sua vida sem pôr em risco um negócio ainda em formação;
  • viabilidade econômica inclui esse estudo financeiro e outros fatores para determinar a rentabilidade e lucratividade potencial dessa empresa, assim como o retorno esperado para os investimentos iniciais.

Ou seja, o estudo econômico de um novo projeto passa principalmente por definir o quanto será gasto para sua construção e se há espaço no mercado para absorver o impacto e tornar o negócio sustentável.

Qual é a importância desse estudo para o seu negócio?

Segundo uma pesquisa feita pelo IBGE em 2014, menos da metade das empresas abertas no Brasil sobrevivem em seus primeiros 5 anos de vida. Entre as razões para esse problema, podemos citar, sem dúvida, a falta de planejamento e análise econômica antes de comprometer o investimento.

Saber que existe orçamento interno para cobrir os custos não é o suficiente para justificar a realização de um projeto. Só vale a pena entrar de cabeça em um negócio se houver oportunidades claras para a consolidação e metas bem-definidas para quando ele ainda estiver engatinhando.

Isso é feito com visão de mercado e de negócio. Portanto, é preciso definir:

  • qual é o potencial dessa ideia de atrair o público;
  • como a empresa vai se sustentar com poucos clientes no início;
  • como esses primeiros momentos servirão para alavancar as próximas etapas;
  • como manter uma operação sustentável;
  • como utilizar esses recursos da forma mais otimizada possível.

Essas são apenas algumas questões que aumentam significativamente a probabilidade de sucesso em um negócio ou projeto que está começando. Com atenção aos detalhes e foco no objetivo, fica muito mais fácil gerenciar o dinheiro em um momento que ele é tão escasso e volátil.

Quais são os fatores a serem analisados em um estudo de viabilidade econômica?

Sendo assim, se você está pensando em abrir um novo negócio ou iniciar um projeto dentro da empresa, é hora de pensar na análise econômica e ter previsibilidade na sua execução. Veja os principais pontos que devem estar presentes nesse estudo para ter eficiência e confiança nos próximos passos:

Estimativa de receitas x despesas

O prazo de projeção varia conforme a especificidade do projeto e de acordo com a expectativa de retorno.

Se o projeto for abrir um restaurante, provavelmente, um retorno de 3 a 5 anos será suficiente. Já projetos mais complexos, como a construção de uma usina de geração de energia elétrica, normalmente, exigem uma projeção de longo prazo.

Esse é um conceito chamado de break even (ficar quite, em português): a expectativa de tempo que o empreendedor/gestor tem para recuperar 100% do investimento inicial e, assim, passar a operar no azul.

Mas, para ter uma noção melhor desse break even, não dá para fazer um cálculo direto de equilíbrio entre receitas e contas a pagar. O capital de giro tem influência significativa.

Para chegar nesse valor, o mais importante é ter uma noção de qual será o seu capital de giro, que são os recursos necessários para manter as operações da empresa funcionando. São informações como:

  • recursos para financiamento aos clientes em compras a prazo;
  • pagamentos aos fornecedores;
  • pagamentos de impostos;
  • encargos trabalhistas;
  • contas de luz, água e até o gasto com papel no escritório.

Muitas empresas têm dificuldade de se manter por falta de planejamento na hora de entender como esses gastos, às vezes pequenos, se tornam relevantes quando somados.

Portanto, comece seu estudo detalhando essas questões. De um lado, tomando por base a projeção de receitas, considere o tamanho do público-alvo, as premissas de conversões baseadas em dados históricos e comparativos de nicho.

Por outro, levando em conta a sustentação do negócio, considere os itens que listamos e todos os outros que tiverem a ver com o objetivo de manter a empresa funcionando.

Estimativa de custos e projeção de investimentos

Da mesma maneira que as receitas são projetadas no decorrer do tempo, é preciso também mapear os investimentos demandados para começar o projeto e os custos operacionais que comprometerão o orçamento interno.

De modo simplificado, essas estimativas incluem:

  • custos fixos: aqueles recorrentes e previsíveis, tais como locação, remuneração, eletricidade etc.
  • custos variáveis: aqueles que oscilam a depender da produção e das vendas, a exemplo de comissões e taxas.
  • impostos: os tributos municipais, estaduais e federais, de acordo com o porte da empresa ou tipo de atividade. Essas variáveis contábeis não devem ser ignoradas.

O importante é definir orçamentos da forma mais realista possível, assim, evita-se grandes surpresas ao longo da execução do projeto.

Análise de viabilidade econômica por indicadores

Para as análises anteriores, é possível que seja necessário fazer alguns ajustes e trabalhar com premissas diferentes, a depender do tipo de projeto. No entanto, o real benefício da análise de viabilidade econômica se traduz nos indicadores finais:

Valor Presente Líquido (VPL)

Esse indicador exprime o quanto o fluxo de caixa livre acumulado da projeção total valeria considerando os dias de hoje, daí o nome “valor presente”.

Para obter esse valor, deve-se abater o custo de capital (também chamado de taxa de desconto ou WACC).

Basicamente, o resultado deve ser comparado com o capital investido, no intuito de verificar se o projeto gerou mais capital do que foi investido. Ou seja, se a receita gerada pelo projeto será superior — e satisfatória — em comparação com o orçamento interno comprometido com tais esforços.

Taxa Interna de Retorno (TIR)

A TIR representa a taxa de retorno do investimento, usando o mesmo fluxo de caixa livre acumulado do VPL.

A diferença se dá na forma que, enquanto o VPL oferece um indicador absoluto e monetário, a TIR oferece uma informação percentual, que pode ser mais facilmente comparada a outros investimentos, como a poupança.

Payback (retorno de capital)

O payback serve para determinar o momento em que o projeto terá proporcionado igual quantidade de caixa em relação àquilo que consumiu do orçamento interno desde o início do projeto.

Em síntese, é o período no qual o fluxo de caixa livre acumulado passou de negativo para positivo. Dessa forma, é possível determinar quantos meses serão necessários para ter o dinheiro investido de volta.

Ou seja, quando você une todos esses indicadores em um só planejamento, você ganha em visão de futuro e dificilmente será surpreendido por alguma dificuldade na implementação de um novo negócio ou novo projeto.

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